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Psicologia na e com a educação é tema de evento promovido pelo CRPRS

A Comissão e Núcleos de Educação do CRPRS promoveram na quinta-feira, 26/05, e sexta-feira, 27/05, a Jornada “Psicologia na e com a Educação”. A atividade contou com mais de 1.000 inscritas/os e foi realizada de forma híbrida, sendo presencial no Teatro Dante Barone, em Porto Alegre, e on-line com transmissão ao vivo pelo Canal do Conselho no Youtube.

O objetivo do evento foi debater com a sociedade e com a categoria de psicólogas/os sobre a atuação da Psicologia na e com a Educação, complementando as diversas ações desenvolvidas pela Comissão nos últimos anos, alusivas à regulamentação da Lei nº 13.935/2019, que dispõe da prestação de serviços de Psicologia e de Serviço Social nas redes públicas de educação básica. A Lei é fruto de um processo e de uma luta de 20 anos, empreendida pelas categorias de psicólogas/os e assistentes sociais. A jornada deu sequência ao diálogo sobre a fundamental relação Psicologia e Educação, reunindo as diferentes autoridades na sociedade que estão diretas ou indiretamente implicadas com a educação básica pública, ressaltando o desenvolvimento integral de crianças e jovens.

Abertura

Na mesa de abertura, Vinicius Pasqualin (CRP 07/22901), presidente da Comissão de Educação do CRPRS, destacou a importância do coletivo. “O que passa e perpassa esse encontro são experiências da Psicologia na e com a Educação que apostam nas coletividades, numa ética afirmativa de vida. Somos multidão, somos vários e precisamos construir essa experiência coletiva”, afirmou.

“Acho que esse momento que estamos vivendo é histórico, importantíssimo, de grandes desafios para a nossa profissão. Esse evento vem muito a calhar, é muito oportuno para que essas discussões sejam feitas”, destacou a presidenta da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), Marilene Proença Rebello (CRP 06/6133).

Para a representante do Sindicato dos Psicólogos no Estado do Rio Grande do Sul (SIPERGS), a diretora de Políticas Sindicais, Emanuele Luiz Proença (CRP 07/11353), a atuação crítica da/o psicóloga/o é fundamental. “Entendemos que nosso papel enquanto sindicato seja buscar maior inserção da/o psicóloga/o nesse campo de trabalho, atentando para que isso não ocorra de forma precarizada como tem acontecido, infelizmente. Acreditamos que a atuação da/o psicóloga/o na Educação deva acontecer de maneira crítica e articulada com os outros atores e profissionais da Educação, e que esteja comprometida com os questionamentos das ações de medicalização da infância e na construção de uma sociedade menos desigual”, declarou.

A presidenta do Conselho Regional de Serviço Social do Rio Grande do Sul (CRESS), Elisa Scherer Benedetto, resgatou a parceria entre os dois Conselhos profissionais na luta pela regulamentação da Lei nº 13.935/2019. “Lutamos pela inserção de qualidade da Psicologia e do Serviço Social na Educação. Acreditamos que realmente essas/es trabalhadoras/es podem se inserir nas redes e no sistema e contribuir com a Educação”.

Na sequência, a presidenta do CRPRS, Ana Luiza de Souza Castro (CRP 07/3718), reafirmou o compromisso da Psicologia com a Educação. “Reafirmamos nosso compromisso na construção de uma educação inclusiva, não patologizante onde caibam todos os mundos”.

Ana Sandra Fernandes Arcoverde Nóbrega (CRP 13/5496), presidenta do Conselho Federal de Psicologia (CFP), finalizou a mesa de abertura reforçando a importância do evento para a Psicologia. “Recentemente, a pandemia da Covid-19 confirmou a importante e necessária presença da Psicologia na escola, as adversidades sociais causadas pela pandemia que impactaram toda a sociedade trazem um impacto que precisamos observar de forma muito atenta diretamente nos processos de educação básica. Além disso, precisamos reafirmar direitos e lutar por uma educação universal, pública, gratuita e diversa”.

Após a mesa de abertura, a colaborada do Núcleo de Educação da Subsede Serra Simone Courel  (CRP 07/17831) fez o lançamento e apresentação da publicação Psicologia na e com a Educação: criando possibilidades e promovendo experiências, criado pela Comissão e Núcleos de Educação do CRPRS.

Experiência, Escuta e Formação: a Psicologia na e com a Educação

A mesa “Experiência, Escuta e Formação: a Psicologia na e com a Educação” contou com a participação de Fabíola Giacomini (CRP 07/9687) e Adriana Marcondes Machado (CRP 06/21157) e foi mediada pelo conselheiro Vinicius Pasqualin e pelas colaboradoras Simone Fragoso Courel (Núcleo de Educação da Subsede Serra) e Silvana Maia Borges (Núcleo de Educação da Subsede Centro-Oeste).

Fabíola Giacomini, que é psicanalista, mestra e doutoranda e trabalha na e com a Educação básica desde 2003, trouxe um relato de experiência de intervenção na escola pública de educação básica, falando sobre um menino de 5 anos precocemente diagnosticado com autismo, mostrando o papel da Psicologia na escola e a diferença que faz essa/e profissional estar inserida/o na rede. “O principal aqui não são as dificuldades, mas a capacidade de ligar-se e apoiar-se para desenvolver-se, ser alguém para alguém é uma condição de sobrevivência psíquica, a sobrevivência que remonta a rede de filiação e pertencimento atravessadas pelo fato de que para se poder ser, tem que efetivamente estar com o outro”.

Adriana Marcondes Machado, psicóloga, mestra e doutora em Psicologia Social pela USP, trabalha a mais de 30 anos no serviço de Psicologia Escolar do Instituto de Psicologia da USP, trouxe em sua fala uma breve contextualização da Psicologia Escolar. “Com que caixa de ferramentas vamos? Talvez uma das respostas seja sua análise crítica, não do que acontece na escola, sim do que acontece na escola a partir das relações que estabelecemos com essas escolas. O dispositivo criado de relação com a educação tem que estar em análise o tempo todo”, afirmou Adriana.

À tarde, Silvana Maia Borges CRP (CRP 07/15263) apresentou o resultado de levantamento feito pelo CRPRS das/os psicólogas/os que atuam nas áreas escolar e educacional no estado. “A Psicologia escolar/educacional na qual eu aposto e invisto é aquela comprometida com a garantia do acesso, permanência e qualidade da Educação, é aquela que se articula ao fortalecimento da atribuição primordial da escola, qual seja resgatar o conhecimento historicamente acumulado e assumir a função de possibilitar o acesso a esse conhecimento” finalizou Silvana.

Da educação básica ao ensino superior: experiências em Psicologia Escolar e Educacional

Mediada pelos integrantes da Comissão de Educação, Carolina Freitas de Lima, Samantha Torres e Felipe Oliveira CRP, a mesa “Da educação básica ao ensino superior: experiências em Psicologia Escolar e Educacional” contou com a participação de Sandra Nunes Angelini (CRP 07/12131) trazendo um relato sobre a Psicologia escolar e a cultura surda, Cynthia Castiel Menda (CRP 07/07076) falou sobre a Psicologia escolar na universidade, Monique Cauduro (CRP 21665) compartilhou um pouco da sua experiência na educação básica e Vinicius Pasqualin fechou a mesa falando sobre a importância da construção de redes com linhas de experiências coletivas.

A importância da integração entre surdos e ouvintes, a necessidade de acolhimento e como superar as barreiras de comunicação foram pontos abordados por Sandra Nunes Angelini em sua fala que narrou sua experiência em escola especial para surdos. “É na escola que a comunidade surda encontra, muitas vezes, o primeiro acolhimento”, destacou ela ressaltando a importância do trabalho neste ambiente.

Para Monique Cauduro é fundamental a construção de uma Psicologia crítica na Educação. “Percebemos a dificuldade de nos colocarmos nessa posição, fugindo da lógica patologizante. Para isso, as/os profissionais precisam se instrumentalizar para ter um olhar clínica, para observar o que é coletivo, e buscar estratégias de atuação que visem à uma educação integral, não individualizante ou patologizante”.

A vivência na Psicologia escolar dentro da universidade foi apresentada por Cynthia Castiel Menda. “Ainda somos poucos nessa área. Por isso, é fundamental buscar na Psicologia o conhecimento para construir experiências com base em diferentes olhares”.

A articulação das redes, a necessidade de “furar bolhas”, entrar na rede de signos e significados, produzir uma linguagem comum e promover conexões foram alguns dos desafios da/o psicóloga/o na Educação levantados por Vinicius Pasqualin em sua apresentação. “Precisamos pensar o que é rede para a gente? Não limitar as conexões, tecer redes e firmar uma identidade para sermos profissionais da Educação”.

Ainda, houve o lançamento do e-book “Percursos e experiências da Psicologia na e com a Educação no Rio Grande do Sul”, elaborado pela Comissão de Educação em conjunto com os Núcleos de Educação da Subsede Serra, Centro-Oeste e Sul. O E-book foi apresentado pelo psicólogo integrante da Comissão de Educação do CRPRS, Felipe Oliveira (CRP 07/31716), que fez uma breve descrição do que se trata a publicação.

Desafios na regulamentação da lei: compartilhando experiências e construindo caminhos

O primeiro dia da Jornada encerrou com a roda de conversa “Desafios na regulamentação da lei: compartilhando experiências e construindo caminhos” que teve a participação da diretora do CPERS – Sindicato Vera Lessês e da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL).  Para Vera Lessês, a inserção das/os psicólogas/os na Educação é um debate que envolve não só a categoria das/os psicólogas/os, mas também a sociedade, educandos e educadores é de extrema importância. “Nesse país e no nosso estado nenhuma política pública vem de mão beijada. É muita luta que todas as categorias precisam travar, é muita resistência e muito enfrentamento”. E reforçou que a mobilização precisa continuar para que a Lei de fato saia do papel, seja efetivada. A deputada Fernanda Melchionna relembrou dos desafios da regulamentação da Lei e da mobilização para a derrubada do veto feita em Brasília. “A luta, agora, deve ser nos estados”.

Psicologia na e com a Educação: fundamentos

A mesa “Psicologia na e com a Educação: fundamentos” abriu o segundo dia de Jornada. A psicóloga, mestra em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano e doutora em Psicologia Social pela USP, Carla Biancha Angelucci (CRP 06/57074), propôs uma reflexão sobre qual conceito de educação que as/os psicólogas/os tratam. 

Biancha trouxe relatos de violências que se perpetuam cotidianamente em nossa realidade, frisando que a Educação precisa entender que a barbárie continua e se comprometer com o enfrentamento dessa realidade. “Aumentamos a taxa de pobreza no Brasil, aumentamos o índice de violência sexual e produzimos um conjunto de pessoas que vão as ruas em defesa da barbárie. O nosso compromisso é reconhecer o que temos construído e fazer esse enfrentamento e não trabalhar apenas ideologicamente, dizendo de maneira prescritiva o que as pessoas devem ser”. A convidada também analisou como a formação da/o psicóloga/o é falha ao preparar as/os profissionais para atuar na política pública de Educação e para ter um olhar mais amplo sobre os processos educativos e sobre os diferentes contextos. “Refletir sobre que concepção de educação está guiando meu trabalho a partir de princípios éticos é fundamental”.  

O psicanalista, professor colaborador do Programa de Pós-Gradução em Educação da Universidade de Passo Fundo, Francisco Carlos dos Santos Filho (CRP 07/02854) fez sua apresentação baseada no texto “Desamparo Humano e Solidariedade Formativa: Crítica à Perversidade Neoliberal”, escrito em parceria com Claudio Almir Dalbosco e Luciana Oltramari Cezar. Em sua fala, Francisco trouxe conceitos de racionalidade neoliberal, obscurantismo, perversão, práticas perversas e perversão narcisista. “O impacto da racionalidade neoliberal sobre a formação do sujeito é devastador, provoca uma quebra ética e estraçalha o laço inter-humano”, afirmou. O ensaio aborda o tema a partir de filosofia, psicanálise e educação, relacionando os três eixos: racionalidade neoliberal, sujeito e obscurantismo. “A racionalidade neoliberal e o obscurantismo necessitam do apagamento do outro para tocar seu projeto de ocupação de corpos, mentes e vidas. Ao instalar um sistema de relações baseado na indiferença, produzirá subjetividades que a ele se adequem e se perpetuem”. Como contraponto ao regramento perverso de apagamento do semelhante, recorre-se à ética em Freud, regida pelo princípio da inclusão do semelhante como experiência formativa central da existência humana.

Os certificados foram enviados por e-mail a todas/os que assistiram e registraram presença, dentro dos prazos estipulados, em pelo menos 2 dos 3 turnos da atividade.

Crédito das fotos: Glauccio Dutra

A Jornada “Psicologia na e com a Educação” pode ser assistida nos vídeos abaixo: 

Jornada Psicologia na e com a Educação: criando possibilidades e promovendo experiências – 26/05/2022

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Jornada Psicologia na e com a Educação: criando possibilidades e promovendo experiências – 27/05/2022

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