A Comissão de Educação do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul lançou a campanha “Psicologia na e com a Educação – Criando possibilidades e promovendo experiências”. A ação tem como objetivo sensibilizar a sociedade sobre a importância da Psicologia na Educação e conscientizar gestores municipais sobre a necessidade de incluírem psicólogas e assistentes sociais na educação básica, conforme disposto na Lei 13.935 de 2019.
O evento de lançamento aconteceu na noite de quinta-feira, 28/10, às 19h30, e foi transmitido pelo canal do YouTube do CRPRS. Na ocasião, o presidente da Comissão de Educação, Vinícius Pasqualin, destacou a necessidade da regulamentação da lei no estado: “Foram mais de 20 anos de mobilização e articulação das entidades nacionais e estaduais até a publicação desta. Queremos mostrar para a sociedade o quanto nós, psicólogas/os, podemos contribuir para a educação básica”. Vinícius explicou, ainda, que, mesmo que a presença da categoria nas escolas já seja prevista em lei, ainda é necessário lutar pela sua regulamentação. “Por isso, o CRPRS está sendo muito ativo, neste momento, conversando com parlamentares gaúchos, traçando estratégias para que essas contratações na rede básica realmente aconteçam e realizando campanhas como esta, na qual estamos trazendo o debate para a mídia também.”
Para Silvana Borges, colaboradora do Núcleo de Educação da Subsede Centro-Oeste, a campanha reafirma todo o trabalho de diálogo com as/os psicólogas/os e demais categorias que vem sendo feito. “Durante esse processo, nos aproximamos de outras entidades, também, além da categoria de Assistência Social, como, por exemplo, do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS), do Conselho Estadual da Educação do RS (Ceed/RS) e do Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente (Condeca – RS)”, completou o conselheiro Vinícius, durante a fala de Silvana.
Simone Courel, integrante do Núcleo de Educação da Subsede Serra, e Giordana Rodrigues Chaves, coordenadora do Núcleo de Educação da Subsede Sul, reforçaram o convite para que a categoria participe dos grupos constituídos pelo Conselho, tendo em vista que os núcleos não são espaços destinados apenas para a participação de conselheiras/os do CRPRS. “Estamos muito felizes com o lançamento, porque ele é resultado de um trabalho coletivo. Por isso, é importante destacar que esse é um momento de consolidação, de conhecer nossos pares e procurar pelas/os psicólogas/os da nossa região para debatermos a pauta conforme da realidade de cada município”, salientou Giordana.
Confira algumas contribuições da Psicologia na e com a Educação:
Acolhimento da criança e da família nos processos de escolarização
Alguns momentos da escolarização são acompanhados de muita ansiedade, tanto para os alunos quanto para suas famílias, tais como a inserção dos bebês na educação infantil; a transição da educação infantil para o ensino fundamental; e a saída do ensino fundamental para o ensino médio.
Nesses momentos, a Psicologia pode disponibilizar espaços de escuta, acolher angústias das famílias, orientar os professores em relação a essas transições e mudanças, contribuindo na apropriação de direitos e deveres que favorecem a aprendizagem
Dificuldades
nos processos de escolarização
Muitas vezes dificuldades de adaptação ou de relacionamento acarretam dificuldades de aprendizagem.
A Psicologia na e com a Escola contribui para uma intervenção que contemple as dimensões afetivas, cognitivas e comportamentais. Superar uma dificuldade é tarefa coletiva, do sistema educacional.
Processos de inclusão e acessibilidade
Para promover uma educação inclusiva e acolhedora, a psicologia pode contribuir para um sistema educativo que considere diferenças, promova respeito às individualidades, apoiando os movimentos e processos de acessibilidade e inclusão.
A Psicologia busca refletir sobre o processo educativo, flexibilização curricular, propor intervenções e formação continuada com os profissionais de educação, envolvendo a comunidade escolar neste debate por uma educação democrática e para todas/os.
Formação
continuada de professores
A Psicologia pode trabalhar em parceria com os professores, através da formação continuada, auxiliando no aprofundamento teórico e na compreensão das relações existentes.
Dentre os temas que podem ser trabalhados tem-se como exemplo: desenvolvimento e aprendizagem, relações interpessoais no processo educacional, inclusão, acessibilidade, sexualidade, relações de gênero, relações étnico-raciais, mídias e tecnologias.
Defesa das diversidades e enfrentamento de preconceitos
Preconceitos impactam diretamente na saúde mental e nas aprendizagens das/os estudantes. A psicologia pode auxiliar na construção de estratégias coletivas para o enfrentamento de preconceitos que podem gerar processos de exclusão e sofrimento de estudantes, docentes e comunidades.
A Psicologia pode auxiliar as instituições de ensino a abordar temas permeados por preconceitos como racismo, machismo, capacitismo, lgbtfobia, proporcionando oportunidades de reflexão, promoção de cuidado, acolhimento, respeito às diferenças e combate às violências.
Promoção de saúde mental
Promover saúde mental é olhar de modo contextualizado e humanizado para as relações, através de espaços de escuta e acolhimento, propiciando entendimento e corresponsabilidade de todos. É potencializar ações de bem-estar, garantindo inclusão, acessibilidade e respeito às diversidades.
Orientação profissional
A Psicologia, através de suas técnicas, contribui com o processo de orientação profissional auxiliando os estudantes a entender o mundo do trabalho, desenvolver o autoconhecimento, identificar seus interesses, motivações, e assim, construir seus projetos de vida e carreira.
Apoio na elaboração e implementação dos projetos políticos-pedagógicos
O Projeto Político Pedagógico – PPP – reflete a proposta educacional sobre que sujeito se pretende formar, a partir da realidade em que a escola se encontra. É a base de reflexão da escola acerca de si, considerando as necessidades da comunidade.
A Psicologia pode contribuir na construção e desdobramento deste projeto favorecendo a reflexão e análise, propondo estratégias de ação, auxiliando para que as necessidades sejam compreendidas e atendidas.
A existência de uma base nacional curricular – BNCC – não exclui as necessidades específicas das escolas e sua regionalidade. Psicólogas/os escolares podem auxiliar na construção de temas transversais a serem incorporados às propostas educacionais, respeitando suas peculiaridades.
Desmedicalização
e despatologização na educação
Entende-se por medicalização da vida a transformação de questões não médicas em doenças. Situações típicas do ciclo vital como o luto, desequilíbrios diante de fatos complexos ou comportamentos fora das expectativas são interpretados e tratados como patologias ou transtornos.
É fundamental compreender situações desafiadoras ou atípicas de forma ampla e crítica, com uma escuta real e efetiva dos sujeitos, evitando diagnósticos médicos inadequados. A desmedicalização/despatologização é um desafio no contexto escolar e precisa ser abordada.
A Psicologia pode auxiliar entendendo as demandas, promovendo reflexão crítica, estabelecendo o diálogo com a rede de atenção à saúde, estimulando a dimensão relacional e o fortalecimento dos vínculos, contribuindo para estratégias de promoção de aprendizagem para todas/os.
Assessoramento à gestão escolar
A gestão escolar envolve diferentes profissionais. A psicologia contribui na otimização da comunicação, na fluência do trabalho de todos/as, em um ambiente colaborativo, que prima pela qualidade de vida no trabalho, favorecendo relações saudáveis e espontâneas.
Planejar conjuntamente, organizar e articular ações, favorecendo que cada um dê o melhor de si, conforme suas competências e especificidades de formação, são elementos essenciais para o funcionamento eficaz das equipes educacionais. A psicologia pode assessorar em tais processos.
Avaliação no contexto escolar
O processo de avaliação psicológica no campo da Psicologia Escolar tem peculiaridades em relação a outros campos de ação da Psicologia. Identificar, analisar e debater sobre todos os aspectos que estão presentes no processo de aprendizagem e desenvolvimento é o eixo central.
Analisar as queixas apresentadas e os desafios percebidos como expressão das dimensões relacionais, socioeconômicas, pessoais e institucionais traz um olhar para além do indivíduo, que impacta em seu crescimento e suas aprendizagens, e que vai nortear as estratégias de intervenção.
Avaliar em Psicologia Escolar é compreender o processo de ensino e aprendizagem em todas as suas facetas, com todos os seus atores (estudantes, educadores, equipe pedagógica e diretiva, família, comunidade), se articulando com a rede de atenção e cuidado de cada realidade.
Confira na íntegra o evento de lançamento da campanha:
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