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Racismo: o que a psicologia tem a ver com isso?

A Comissão de Políticas Públicas do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul promove em 25/10, às 18h, o encontro “Racismo: o que a psicologia tem a ver com isso?”, no auditório do CRPRS (Av. Protásio Alves, 2854 – 4º andar), em Porto Alegre. Informações (51) 3334.6799.
A atividade irá promover a discussão e reflexão sobre como as práticas sociais contemporâneas repercutem no psiquismo de sujeitos sociais negros, vivendo num universo de disparidades. “Queremos discutir a interlocução das clínicas psicológicas a partir do impacto do racismo na subjetividade e como produtor de sofrimento psíquico, especialmente na saúde mental e nas relações de trabalho”, destacam as colaboradoras da Comissão de Políticas Públicas do CRP, Eliana Xavier e Gláucia Fontoura. O encontro assinala os 10 anos da Resolução de n° 018/2002 do CPF, marca o mês de Mobilização Nacional Pró-saúde da População Negra e é preparatório para o II Encontro Nacional de Psicólogos(as) Negros(as) e pesquisadores sobre relações Inter-raciais e Subjetividade no Brasil, que acontecerá em 2013.
A psicologia como profissão responde a diversas demandas presentes nas relações sociais. Dentre estas, destaca-se o fato de que, cada vez mais, psicólogos(as) têm acolhido sujeitos cujo sofrimento psíquico provém das relações inter-étnicas, se deparando com subjetividades afetadas pelo racismo enfrentado no cotidiano. “Em todas as clínicas onde a população negra adentra, a temática do preconceito e da discriminação racial está posta e cabe a nós profissionais atentarmos para estes processos, no sentido de avaliar, durante o acompanhamento de pessoas negras, a presença de questões relacionadas ao racismo”, afirmam as colaboradoras.
Em uma recente pesquisa norte-americana, que investigou a percepção do racismo e seu impacto na saúde de negros americanos, ressaltou-se que ser vítima de racismo afeta a saúde mental de adultos de tal forma que esta experiência pode ser comparada a vivência de uma situação traumática. A pesquisa analisou 66 estudos anteriores que incluíram mais de 18.000 adultos negros. Concluiu-se que a somatização (aflição psicológica que se expressa como dor física), sensibilidade interpessoal e ansiedade são respostas comuns ao racismo e ao trauma. Pessoas que foram vítimas de racismo têm também maiores probabilidades de relatarem sofrimento mental no decorrer de suas vidas.
Em 2002, o Sistema Conselhos de Psicologia, pensando sobre a postura dos psicólogos frente ao preconceito e à discriminação racial, estabeleceu a Resolução nº018/2002, que preconiza em seu art.1º que “os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão contribuindo com o seu conhecimento para uma reflexão sobre o preconceito e para a eliminação do racismo”.
Programação completa:
18h – Abertura – Alexandra Maria Campelo Ximendes – Coord. da Comissão de Políticas Públicas
18h30 – Mesa – Racismo: o que a psicologia tem a ver com isso?
O lugar do branco nas relações raciais brasileiras – Lia Vainer Schucman, do Instituto AMMA Psiquê e Negritude – São Paulo
Subjetividade, sofrimento psíquico e preconceito racial – Maria Jesus Moura do Observatório Negro/ONEG – Recife
20h – Abertura do debate com o público
21h – Encerramento