Promovido pelas Comissões de Relações Étnico-Raciais, Direitos Humanos e Políticas Públicas, o evento “As comissões de heteroidentificação: história e percurso com Dora Bertulio” reuniu, na sexta-feira, 08/11, psicólogas/os e interessadas/os pela temática no auditório do CRPRS em Porto Alegre.
A atividade, mediada pela psicóloga Maíne Alves Prates, integrante da Comissão de Relações Étnico-Raciais, teve o objetivo de debater sobre o histórico e o percurso das comissões de heteroidentificação no Brasil. A convidada Dora Bertúlio fez uma contextualização histórica sobre a origem do racismo no país e como surge a necessidade de ações afirmativas, medida definida como necessária para corrigir ou compensar discriminações. Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina, Dora é atualmente procuradora da Universidade Federal do Paraná, participou ativamente de processos de implementação de programas de ação afirmativa para inclusão de população negra no Ensino Superior e mercado de trabalho.
Em sua fala, Dora destacou como o Estado e o Direito contribuíram na formação da “ideologia racista nacional”, estabelecendo e perpetuando diferenças raciais. “A necessidade de classificar brancos e negros existe porque a sociedade promove rejeição ou privilégios, recebendo pessoas, em um primeiro momento, a partir de seu pertencimento racial. Não é uma questão de classe, não há uma explicação racional para isso, não há uma racionalidade nessa forma de preconceito”, afirmou Dora.
O trabalho das comissões de heteroidentificação deve restringir-se ao aspecto físico da pessoa, sem levar em conta a origem familiar. “Quando chega a um espaço público essa pessoa é recebida como branca ou negra? Essa reflexão é o que deve ser considerada. Se a pessoa é socialmente identificada como negra, seu físico é objeto de discriminação, sofre preconceito e precisa de ações afirmativas”.
Para Dora, integrar comissões de heteroidentificação faz parte do engajamento de ações antirracistas. “É um momento delicado, mas necessário para que se tenha maior efetividade nos programas de ações afirmativas”.
Ações de acolhimento nas universidades para os estudantes que ingressam por meio das cotas é algo considerado por Dora de extrema importância. “Precisamos acolher essas pessoas que chegam em um ambiente hostil e elitista. Cotistas acabam tendo a sensação de não acolhimento total nas instituições.
Esse foi o primeiro evento promovido pela Comissão de Relações Étnico-Raciais desde que essa organização do CRPRS deixou de ser Núcleo e se tornou uma Comissão. A próxima atividade da Comissão acontece na quinta-feira, 28/11, às 18h30, dando continuidade ao ciclo de debates “O Racismo Tem Dessas Coisas” abordando o tema “Na cidade”.
– Em breve vídeo com a íntegra do evento no Canal do YouTube do CRPRS.