Nos dias 05 e 06/08, o CRPRS, por meio da Comissão de Avaliação Psicológica, promoveu em parceria com a Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS o 2ª Simpósio de Avaliação Psicológica, com o tema “Avaliação Psicológica e seus contextos nos 60 anos de Psicologia no Brasil”. A atividade foi realizada no Parque Esportivo da PUCRS (prédio 81) e contou com oficinas, mesas redondas e práticas profissionais.
Na tarde de sexta-feira, 05/08, as/os participantes do evento se dividiram em oficinas de orientação, com a apresentação prática de diferentes experiências na área da Avaliação Psicológica. As oficinas abordaram temas como porte de arma, avaliação psicossocial e atualizações da nova resolução e perspectivas de trabalho, avaliação no contexto judicial, documentos psicológicos e adequação aos diversos contextos, avaliação para procedimentos cirúrgicos eletivos e avaliação clínica e neuropsicológica. Na sequência, mesas redondas trouxeram importantes reflexões sobre a prática da avaliação psicológica em diferentes contextos.
À noite, na mesa de abertura, a conselheira presidenta do CRPRS, Ana Luiza de Souza Castro (CRP 07/03718), e a professora da PUCRS Irani Argimon (CRP 07/01211) deram as boas-vindas às/aos participantes, ressaltando os desafios atuais da profissão, principalmente no campo da avaliação psicológica.
Na sequência, a mesa “Avaliação Psicológica durante a pandemia: o que aprendemos e quais desafios e perspectivas” foi mediada pela conselheira do CRPRS Fabiane Machado (CRP 07/12627). As convidadas Denise Yates (CRP 07/14662) e Sabrina Martins Barroso (CRP 04/22252) falaram sobre aspectos positivos e negativos da influência das tecnologias nas avaliações psicológicas.
Para Sabrina Martins Barroso, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFTM, as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) vieram para ficar e a Psicologia precisa se atualizar e incorporar as novas tecnologias em sua prática. “Temos que incorporar em nossas avaliações, saber que é mais um instrumento que temos à disposição, que amplia nossas possibilidades de avaliação, sempre lembrando que a/o profissional não deve trabalhar com aquilo que não domina e deve sempre buscar uma avaliação psicológica de qualidade”.
Denise Yates, coordenadora executiva do Centro de Avaliação Psicológica e do Programa de Orientação a Práticas Parentais da UFRGS, listou aspectos do formato remoto que facilitam e os que dificultam a avaliação psicológica. “Precisamos ainda aprimorar muitas coisas na avaliação psicológica remota, ter mais opções de instrumentos de aplicação on-line, mais estudos de equivalência. Além disso, é preciso ser crítico e sempre questionar o que levou a um determinado resultado, saber fazer além do algoritmo e ter o cuidado com as pessoas avaliadas. Para isso, é preciso investir na formação”, ponderou Denise.
No sábado, 06/08, pela manhã, a mesa “Formação em Avaliação Psicológica” tratou de desafios e possibilidades, a partir da experiência de profissionais de diferentes instituições de ensino. A mesa foi mediada por Valéria Gonzatti (CRP 07/14239). Vivian Lago (CRP 07/14275), professora e coordenadora do Curso de Psicologia da Pós-graduação em Psicologia Jurídica da Unisinos, ressaltou a necessidade de complementar a formação curricular da graduação com cursos de extensão ou de especialização. “Há muitos testes que não estão contemplados na formação. É preciso ‘correr por fora’, buscar essa formação complementar e estar permanentemente se atualizando”.
Para Lisandre Matte (CRP 07/06299), professora na CESUCA, há alguns anos era possível ensinar a aplicação de testes na formação, mas isso hoje não é mais viável diante da atual grade curricular dos cursos. “Há pouco espaço para avaliação psicológica nos currículos de formação da graduação da Psicologia. Isso é uma preocupação para quem trabalha nesta área, pois o aluno não sai pronto para aplicar testes, por exemplo.” Joice Dickel Segabinazi (CRP 07/18788), professora adjunta do curso de graduação em Psicologia da PUCRS, destacou a relevância social dessa prática e preocupação em formar psicólogas/os hábeis, capazes de auxiliar e que tragam benefícios para o avaliado. “A avaliação psicológica é um processo amplo e complexo que vão muito além da aplicação de testes. Por isso, a importância da formação complementar e da atualização constante para que possamos desenvolver esse trabalho de maneira crítica e com responsabilidade social”.
Na sequência, na mesa “Inovação e Tecnologia em Avaliação e Reabilitação”, mediada por Ana Carolina Peuker (CRP 07/11084), as convidadas relataram experiências práticas com jogos eletrônicos como forma de avaliação e uso de tecnologias para reabilitação neuropsicológica. Marina Yates (CRP 07/24987), colaboradora em grupo de pesquisa da PUCRS, falou sobre a possibilidade de utilização de jogos e programas de simulação como estratégias de avaliação. “Os cuidados nesse tipo de trabalho equivalem a testes no papel. É preciso ter conhecimento e propriedade para aplicar e utilizar essas técnicas com responsabilidade diante do impacto na vida do avaliado”.
Corroborando essa ideia, Sabrina Martins Barroso, da UFTM, citou a possibilidade da incorporação de jogos já existentes – tradicionais como xadrez ou memória ou de vídeo-game – como uma forma de ampliar o repertório de avaliação, para isso, no entanto, é preciso saber como usá-los e o que extrair desses materiais. “O uso de recursos de realidade aumentada na psicoterapia, para tratamento de fobias com uma aproximação segura, respeitando limites, é outra possibilidade que a tecnologia nos traz”, destacou. Para que a Psicologia consiga explorar ainda mais essa área, é preciso que as/os profissionais busquem outros saberes, como algum conhecimento na área de programação, por exemplo, e se impliquem com o avaliado, pensando no pós, em como será trabalhada a reabilitação dessa pessoa. Valéria Gonzatti (CRP
07/14239) destacou a necessidade de se levar em conta a necessidade de
se desenvolver novos dispositivos de avaliação pensando em outras populações,
como os idosos, por exemplo. “Precisamos ver a funcionalidade dos instrumentos
e considerar esse ponto na formação das/os psicólogas/os”.
Na parte da tarde, o Simpósio seguiu com a apresentação de práticas profissionais. Para falar da avaliação e reabilitação neuropsicológica Pós-Covid, consequências da pandemia na vida das pessoas e formas de avaliar. A mesa contou com a participação das psicólogas Neusa Chardosim (CRP 07/01976) e Tainá Rossi (CRP 07/28983) e mediação de Simone Courel (CRP 07/17831). Neusa Chardosim falou sobre a avaliação neuropsicológica pós-Covid em idosos, que de acordo com os estudos, o público idoso atingido por Covid-19 sofre com sequelas de memória, fluência verbal e demência e frisou que o estudo sobre o assunto nunca acaba, deve-se sempre se aprofundar em cada caso para poder tratar de forma única e individualizada. “Tenho que estudar cada caso que chega, não posso fazer a mesma bateria de testes para todos, temos que saber bem com o que estamos mexendo e que o paciente é uma pessoa delicada e temos que ter responsabilidade”, disse a psicóloga, mestra em Gerontologia Biomédica.
Tainá Rossi aprofundou-se mais nas formas de reabilitação neuropsicológicas pós-Covid em adultos que antes da pandemia já apresentavam dificuldades cognitivas e explicou que na reabilitação a/o psicóloga/o deve fazer o paciente atingir o objetivo dele por um caminho diferente do habitual. “O contexto da reabilitação vale para todos os pacientes que de alguma forma apresentam algum tipo de problema cognitivo que pode ser visto por testes ou de queixas subjetivas do paciente”, argumentou a psicóloga doutoranda e mestra em Psicologia Clínica.
A mesa de Avaliação para o contexto escolar, contou com a participação de Simone Courel (CRP 07/17831), especialista em Avaliação Psicológica, explicando a diferença entre avaliação psicológica e/ou neuropsicológica para o contexto escolar e educacional e avaliação psicológica no contexto escolar e educacional. “A avaliação psicológica e/ou neuropsicológica para o contexto escolar e educacional é quando a escola identifica uma demanda, é uma avaliação no campo clínico. Já a avaliação psicológica no contexto escolar e educacional, que não é no campo clinico, é uma competência de outro campo de aplicação de avaliação psicológica, do âmbito escolar e educacional”.
Em seguida houve o debate sobre Avaliações periciais judiciais, com Raquel Paulachi (CRP 07/14290) e Daiana Schütz (CRP 07/19495), mediado por Valéria Gonzatti (CRP 07/14239). Elas contaram como realizavam as avaliações periciais durante a pandemia, Daiana Schütz inclusive citou que no início achava que o atendimento on-line não funcionava da mesma forma que o presencial, no entanto a pandemia quebrou esse estigma e as avaliações passaram a ser híbridas. “Na maioria dos casos existe uma briga por algo, quando avaliamos uma criança, que está em casa isolada, como vamos saber quem está em um espaço que realmente possa falar em sigilo”, revelou a especialista em Psicologia Jurídica. Raquel Paulachi narrou experiências vivenciadas durante a pandemia e disse que optou por atender situações que envolvessem crianças menores de 10 anos, apenas de forma presencial. “Não conseguia entender como favorável uma avaliação de forma remota com uma criança tão pequena, uma situação tão ruim, com tantas brigas e ressentimentos” expõe a psicóloga perita no Tribunal de Justiça do RS.
A mesa seguinte contou com apresentações mediadas por Neusa Chardosim (CRP 07/01976), a primeira sobre Avaliação em contextos de pesquisa, apresentado pela psicóloga, doutora e mestra em Psicologia Clínica, Prisla Ucker Calvetti (CRP 07/10537), que explicou que não há como pensar o campo de pesquisa de uma forma individual e sim em conjunto, já que há um grupo de pesquisa com várias pessoas engajadas num compromisso e propósito científico e social. A segunda apresentação foi sobre Avaliação psicossocial. Ana Carolina Peuker (CRP 07/11084), especialista em Psicoterapia, apresentou como a tecnologia e o uso estratégico de dados está intimamente ligada à avaliação psicológica e o quanto a Psicologia tem sido essencial para o desenvolvimento global.
Vinicius Silva da Silveira (CRP 07/18100) relatou desafios de atuar no campo de avaliações psicossociais e reforçou a importância da/o psicóloga/o se apropriar das nomenclaturas, resoluções e procedimentos da área. “No meu entendimento, é um campo que dialoga muito com outras profissões e áreas, então é um desafio grande poder discutir saúde mental com esses profissionais”, disse o especialista em Saúde Mental Coletiva e Gestão em Saúde. Fabiane Machado (CRP 07/12627) falou sobre a elaboração de documentos no contexto organizacional e do trabalho e trouxe ainda informações sobre causas de afastamento do trabalho no país e o quanto o período pandêmico expôs situações de sofrimento, que já existiam. “Geralmente as organizações mantém velados esses problemas, só que são por causa deles que começam os afastamentos, o adoecimento e as demissões”, explica a psicóloga doutora na área de Saúde Mental e Trabalho.
A mesa de encerramento teve a participação da psicóloga fiscal do CRPRS Flávia Cardozo de Mattos (CRP 07/15863) e da presidenta da Comissão de Avaliação Psicológica do CRPRS, Fabiane Machado (CRP 07/12627). Elas falaram sobre o momento atual da avaliação, aspectos éticos, práticos e pandêmicos, explicaram ainda sobre o funcionamento do Conselho e o trabalho da Área Técnica. “A maior incidência de infrações éticas deriva de documentos psicológicos mal produzidos, que decorrem de uma avaliação psicológica mal conduzida”, revelou Flávia. Fabiane ressaltou que geralmente, nessas situações, não há intencionalidade de erro e sim desinformação e desconhecimento.
O evento teve transmissão ao vivo pelo canal do Youtube do Conselho e pode ser assistido aqui:
2º Simpósio de Avaliação Psicológica – 05/08
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2º Simpósio de Avaliação Psicológica – 06/08
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